E se o problema nunca tivesse sido os seus hormônios?
- Célia Fellipelli

- há 13 horas
- 3 min de leitura

Você já parou pra reparar o quanto a palavra "hormônio" virou uma explicação fácil demais pra tudo o que acontece com a gente depois dos 40?
Choro sem motivo aparente? Hormônio. Vontade repentina de largar tudo? Hormônio. Aquela irritação que sobe do nada quando alguém te interrompe pela quinta vez no mesmo dia? Hormônio, hormônio, hormônio.
E olha, eu não vou aqui negar o óbvio: os hormônios oscilam muito nessa fase, e essa oscilação mexe com o corpo e com a mente de um jeito que a ciência já documentou bem — sono, humor, memória, tudo isso tem uma base hormonal real, e ignorar isso seria desonesto da minha parte. Mas... será que é só isso?
Porque tem uma coisa acontecendo aí dentro que os exames não mostram.
O incêndio que precisa acontecer
Existe uma imagem antiga, a da fênix, que precisa queimar por completo antes de poder renascer. Não tem meio-termo pra ela. Não tem "renasce um pouquinho, guardando as cinzas antigas por precaução". Ela vira cinza mesmo, inteira, pra depois se levantar diferente.
Eu penso muito nisso quando escuto — e vivo — o climatério.
Porque essa mulher que está incendiando por dentro nessa fase não está doente. Ela está renascendo. E o que pega fogo, geralmente, é tudo aquilo que ela vinha carregando sem questionar há décadas.
Ela está cansada de se anular. Cansada de ser sempre a quinta prioridade — depois do trabalho, depois dos filhos, depois do marido, depois da casa, depois... dela mesma, se sobrar tempo.
E agora ela quer o primeiro lugar. Não pra competir com ninguém, não pra ser vista pelos outros — pra si mesma. Ela quer ser a prioridade da própria vida, pela primeira vez, talvez, em muito tempo.
Na cultura chinesa existe uma expressão bonita pra esse momento: Segunda Primavera. Não é declínio. É um segundo desabrochar. E desabrochar, raramente é discreto.
Por que dói tanto se libertar do que não serve mais
Aqui vem a parte que ninguém te conta: sair da caixinha onde você se acomodou por tanto tempo é difícil pra caramba. E não é falta de coragem, não é fraqueza — tem motivo.
Primeiro, porque tem gente cobrando pra você continuar exatamente onde estava. As pessoas se acostumaram com aquela versão sua que dizia sim, que dava conta, que não incomodava. Quando você muda, o incômodo é dos outros — e eles fazem questão de te devolver isso.
Segundo, e esse é o mais cruel: porque você também se acostumou. Ficar pequena, se policiar, calar o que sente — isso virou repertório, virou automático. Sair dali dá trabalho até pra você mesma.
E aí entra a cobrança interna. Aquela que ninguém vê, mas que pesa mais que qualquer julgamento de fora. "Quem eu penso que sou pra querer mais?" "Não é meio tarde pra isso?" "Não seria mais fácil continuar como sempre foi?"
Essa voz vem com força total. E muitas vezes vence — por um tempo.
Desabrochar exige organização, não só coragem
Aqui talvez esteja a parte mais importante de tudo isso: sair do lugar comum não acontece só porque você "decidiu ser mais forte". Isso é conversa de mural de escritório.
Desabrochar de verdade pede uma organização interna. Pede que você entenda o que é hormônio e o que é história de vida. O que é sintoma e o que é ferida antiga pedindo espaço. Essa compreensão de si mesma, quando começa a chegar, assusta — porque de repente você enxerga coisas que passou anos evitando enxergar.
E é natural, diante disso, se recolher de novo. Fechar a cortina, voltar pra caixinha, dizer "deixa pra outro dia".
Mas você já sabe que não dá mais pra ficar ali. Você sente isso no corpo, antes mesmo de conseguir colocar em palavras.
Se essa Segunda Primavera está batendo à sua porta — com a bagunça, a fúria e a beleza que ela sempre traz — talvez o próximo passo não seja tentar entender tudo sozinha, lendo mais um artigo às três da manhã.
Se você quer conversar sobre o que está vivendo agora, uma Consulta Avulsa é o espaço pra colocar tudo isso na mesa e sair com clareza sobre os próximos passos.
E se o que você busca é companhia de verdade nesse processo de renascimento — alguém que acompanhe de perto essa transição, mês a mês — o Acompanhamento Mensal foi pensado exatamente pra isso.
De um jeito ou de outro, uma pergunta fica: o que você precisaria deixar queimar, hoje, pra finalmente virar prioridade na sua própria vida?



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